Congresso Nacional

Um polvo chamado Cunha: sobre tentáculos e manobras

30 de outubro de 2015
CartazPlenario09

Já havia denunciado que o presidente da Câmara vem marcando há dois meses Sessões Extraordinárias para não votar coisa alguma nos dias quando estão agendados os meus discursos no Grande Expediente. Desta forma, ele derruba meus pronunciamentos. Sabedor que não como na mão dele, impede qualquer tipo de manifestação minha no Plenário, como aconteceu nesta quarta-feira (28), quando em milésimos de segundo chamou meu nome e encerrou a discussão em um ato, no mínimo, abrupto.

Não importa, dou meu jeito. Já o questionei em entrevista coletiva no Salão Verde e na quarta levantei um cartaz no Plenário demonstrando a minha indignação com a votação do Projeto de Lei (PL) 2.960-A de 2015, que tem enxertada a proposta de repatriação de dinheiro ilícito e este não servindo como prova de crimes. Você conhece alguém com contas secretas na Suíça, sendo investigado pelo Ministério Público daquele país, que pode ser beneficiado por esta proposição?

No Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, onde há uma solicitação pelo afastamento de Cunha, os parlamentares que já se posicionaram publicamente contra a permanência do deputado na Presidência estão tendo seus processos na Casa levantados por aliados de Cunha para servirem de intimidação.

Como presidente da Câmara, Cunha está despachando para o Conselho de Ética processos de cassações até de aliados para que entrem primeiro na fila, atrasando o processo onde ele é o alvo. O presidente encaminhou o processo onde ele é objeto nos minutos finais do prazo final ao Conselho de Ética.

Cunha, com um corpo flácido e alongado como um polvo, estica seus tentáculos por meio de seus aliado$. De forma gelatinosa, está em todas as comissões e departamentos. Se espalha, influencia e controla.

Na Corregedoria da Câmara, o deputado que relata o processo contra Cunha é Beto Mansur (PRB-SP), amicíssimo do presidente da Câmara. Beto foi indicado pelo primeiro vice-presidente Waldir Maranhão (PP-MA). O trio é investigado pela operação “Lava Jato” da Polícia Federal. A Corregedoria deveria investigar a quebra de decoro parlamentar quando Cunha negou que tinha contas no exterior, ao ser questionado por mim na CPI da Petrobras.

Reafirmo: não vou me calar, não vou poupar Cunha. Se ele não me deixa falar no Plenário da Câmara, darei o meu jeito.

 

Clarissa Garotinho

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