Congresso Nacional

Jeito Eduardo Cunha de ser…

5 de novembro de 2015
Plenario13

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vinha realizando manobras regimentais dentre outros atropelamentos com o objetivo de não me deixar falar nos microfones do Plenário. Constatado isso, utilizei o meu jeito de me manifestar: interrompi entrevista coletiva e empunhei cartaz no meio de uma Sessão. Mas agora Cunha declarou guerra.

No mesmo dia (04/11) em que proferi um discurso pedindo sua renúncia, discurso esse que vinha sendo desmarcado por Cunha há três meses, o presidente da Câmara resolveu criar uma Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei 2.741 de 2003, que altera o Código de Trânsito Brasileiro. Ou seja, Cunha está retirando da Comissão de Viação e Transportes 54 importantes Projetos de Lei. A grande maioria desses projetos já estava distribuída e sendo relatada por deputados, ou seja, não estava parada. Para quem ainda não sabe, eu presido a Comissão de Viação e Transportes.

Por meio da Comissão, já havia solicitado um parecer do Centro de Altos Estudos da Câmara sobre as proposições.

A manobra vingativa foi notícia até na coluna Painel da Folha de São Paulo desta quinta-feira (05). Quando comecei a questionar Cunha pelas contas secretas na Suíça com dinheiro fruto de crime, segundo o Ministério Público daquele país, muitos me alertavam que ele começaria a me perseguir: dito e feito.

A Procuradoria Geral da República (PGR) já se manifestou afirmando que Eduardo Cunha utiliza a Câmara para os seus objetivos. Hoje percebo que além da arrecadação de recursos ilícitos, a Câmara, nas mãos de Cunha, serve para dar vazão a um dos sentimentos mais baixos que conheço: a vingança.

Neste ano, durante a minha gestão a frente da Comissão de Viação e Transportes (CVT) designamos 257 relatorias, votamos 203 projetos, apresentamos 120 requerimentos. Ao todo foram realizadas 46 sessões ordinárias, 27 audiências públicas, 2 seminário, 6 mesas redondas e visitas técnicas.

Na CVT conseguimos revisar e atualizar a legislação referente aos aeronautas, que há 31 anos estava parada. Desta forma, revimos situações abusivas que permitia uma tripulação trabalhar seis madrugadas seguidas colocando em risco a vida deles e de milhares e passageiros.

Por meio da CVT, estamos conseguindo construir junto com um grupo interministerial um decreto presidencial que regulamenta a Política Nacional de Combate ao Roubo de Cargas. A Lei Complementar 121/2006, que trata do tema, está sem regulamentação há quase 10 anos.

Ou seja, nada disso importa para Cunha. O que importa para ele é a perseguição. Desta forma, a Câmara perde e o Brasil perde também, como vem perdendo desde quando ele assumiu a Presidência da Câmara dos Deputados.

 

Clarissa Garotinho

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