Congresso Nacional

O tríplex, o sítio e o jacaré

25 de fevereiro de 2016

Na tarde de hoje, proferi um discurso no Plenário da Câmara dos Deputados, referente as estranhas ligações entre o ex-presidente Lula, um apartamento tríplex no Guarujá (SP) e um sítio em Atibaia(SP). Defendi uma investigação séria sobre estas relações para que se desvende a existência ou não de ilícitos nas reformas desses imóveis.

Tanto o tríplex como o sítio não estão em nome de Lula e nem de nenhum membro de sua família, estão em nome de amigos e sócios de seu filho Fábio Luiz, porém, a constante presença do ex-presidente e da ex-primeira-dama Mariza Letícia nesses locais chamam a atenção. Por meio de dados oficiais da segurança de Lula, entre 2012 e 2016, ele esteve no sítio 111 vezes. Lula passou a metade dos finais de semana do ano passado no sítio. É muita visita. Lula é, no mínimo, um amigo insistente.

Dona Mariza também demonstra muita intimidade com as propriedades. Segundo testemunhas, a ex-primeira-dama acompanhava de perto as reformas que aconteceram tanto no sítio, como no apartamento tríplex do Guarujá. São essas reformas que vem chamando a atenção da Justiça.

O arquiteto Igenes Irigaray e o engenheiro Frederico Barbosa, que coordenaram as reformas, trabalham para duas empreiteiras investigadas pela operação Lava Jato, a OAS e a Odebrecht, respectivamente. Segundo as investigações, o material utilizado para as reformas nas propriedades foram adquiridos pelas empreiteiras. Apenas no sítio de Atibaia, a reforma custou mais de R$ 800 mil.

A mistura entre o público e o privado está presente em todos os casos de corrupção. Empresas que tem negócios com o governo, fazendo reformas em imóveis amplamente frequentadas pelo ex-presidente é no mínimo estranho. A frequência do ex-presidente nesses locais também é estranha.

Como diria o ex-governador Leonel Brizola, “se tem cabeça de jacaré, corpo de jacaré, cauda de jacaré, que bicho que é?”

 

Clarissa Garotinho

Sem Comentários

Deixe uma resposta